Não há esforço que compense a falta de ideias no futebol

QUITO, ECUADOR - SEPTEMBER 25: Fábio Carille head coach of Corinthians gestures during the second leg semifinal match between Independiente del Valle and Corinthians at Estadio OlÌmpico Atahualpa on September 25, 2019 in Quito, Ecuador. (Photo by Franklin Jacome/Getty Images)

   Por mais esforçado que um time de futebol possa ser, sem boas ideias de jogo, todo esforço será em vão. Obviamente que esforço, garra, vontade, são atitudes básicas que todo jogador deve ter quando entra em campo e o torcedor, no geral, gosta. No entanto, se o repertório ofensivo e defensivo não estiverem acima, o resultado do futebol praticado será pífio e, no final, nenhum torcedor vai gostar.

   Este é futebol que tem sido praticado pelo Corinthians de Fábio Carille. O esquema tático utilizado pelo treinador é o mesmo que garantiu os três títulos paulistas (2017, 2018 e 2019) e o Brasileirão de 2017. Teve momentos de muito bom futebol e outros onde teve que jogar pelo resultado, o que é válido dependendo das circunstâncias. Apesar disso, o que justifica o futebol recente ser tão pragmático? Estaria o técnico fiel demais para com suas convicções?

   Vale lembrar que a diretoria do clube investiu em boas contratações para esta temporada, mais do que se esperava considerando as atuais condições financeiras. Por mais que alguns atletas não tenham correspondido ao que era esperado, o próprio técnico chegou a dizer em entrevista que era o elenco mais equilibrado com o qual já trabalhou e estava muito satisfeito. Se é, por que não conseguiu criar um padrão de jogo mais ofensivo?

   Todas essas perguntas deveriam ser respondidas pelo Carille. Houve tempo para trabalhar e o time chegou a mostrar um futebol mais ofensivo após o término da Copa América, com boas jogadas, atletas individualmente rendendo. Números do Footstats mostram que o Corinthians, no Brasileirão, é o terceiro time que menos finaliza, com 10,6, e o quarto que menos finaliza certo, 4,0 por jogo. Ou seja, finaliza pouco e mal.

  Próximo adversário na competição, o Santos do técnico Sampaoli, apresenta um futebol com muito mais repertório e equilíbrio num elenco igual ou pior, levando em consideração o investimento feito pela equipe santista. O trabalho do técnico chileno é digno de elogios.

    Santos do Sampaoli, Grêmio do Renato Gaúcho (no que pese a goleada sofrida contra o Flamengo), Athletico Paranaense do Tiago Nunes, Flamengo do Jorge Jesus são, hoje, as principais referências no Brasil do que pode ser feito no futebol considerando boas ideias de jogo padronizadas, dentro da característica de cada time, entre defender e atacar com um futebol digno de ser assistido, corajoso. O que eles podem ensinar ao técnico do Corinthians?

    Carille está há pouco tempo como técnico de futebol, não têm três temporadas completas. Seu início vitorioso mostra que possui qualidade e competência para ser melhor do que está sendo ou já foi. Mas é preciso fugir de convicções ultrapassadas e buscar renovar o repertório. Ter novas referências, seja no Brasil, Argentina ou Europa. Onde quer que esteja o bom futebol. Do contrário, cairá na vala comum da maioria dos técnicos que estão no futebol brasileiro.